Acordo Mercosul e União Europeia: O que muda para o agro? 

A pós mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia foi assinado no dia 17 de janeiro de 2026, figurando como o maior acordo de livre comércio do mundo. Sendo a União Europeia um dos principais destinos das exportações brasileiras, e consequentemente o segundo maior parceiro comercial do Brasil, a ratificação deste acordo é favorável para o país. Considerando a grande capacidade produtiva do Brasil frente aos desfalques de abastecimento e a limitada produção dos países europeus, gera uma vantagem competitiva para o Brasil acessar esse mercado e expandir sua presença no cenário internacional.

O acordo estabelece que 77% dos produtos agropecuários destinados a União Europeia sejam isentos de tarifas alfandegárias, incluindo carnes, frutas, grãos e café. Porém, para alguns produtos brasileiros que competem diretamente com os produtos europeus serão aplicadas cotas de importações, protegendo os produtores locais, alguns produtos terão cotas tarifárias como: As carnes, as quais Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar, juntos, até 99 mil toneladas por ano, com uma tarifa inicial de 7,5%. Para as aves, 180 mil toneladas poderão ser exportadas com tarifa zero. No caso do açúcar, a eliminação de tarifas será em 180 mil toneladas para o Brasil. Por último, até 60 mil toneladas de arroz exportadas terão isenção de tarifas.

O principal mercado favorecido é o do café, segundo produto mais vendido para o mercado europeu, com uma taxa já aplicada de 9% sobre o café solúvel e de 7,5% sobre o torrado e moído, que será zerada com a vigência do acordo. Entre os principais países consumidores de café da União Europeia, destaca-se a Alemanha, maior importadora do grupo e segunda maior importadora mundial. Em 2025, o país importou 343 mil toneladas de café originário do Brasil, este volume representou 31,7% do total importado pela União Europeia. Em seguida, a Itália consolida-se como outro grande mercado consumidor, tendo o Brasil como principal fornecedor, com exportações de 194,3 mil toneladas no ano de 2025. Os Países Baixos surgem como o terceiro maior destino do café brasileiro no bloco, com importações de 87,8 mil toneladas, constatando o protagonismo do Brasil no mercado cafeeiro europeu.

Em 2025, aproximadamente 75,1% das exportações brasileiras destinadas a União Europeia são referentes a produtos agrícolas e agropecuários, totalizando US$ 25,2 bilhões destinados ao bloco econômico europeu. Em relação ao total, os produtos agrícolas, pimenta-preta, milho, feijões e pulses representam 2,86% do mercado europeu. Para esses produtos, já não incidiam tarifas de importação para o Brasil. As ressalvas são para as variedades feijão-fava, feijão-guandu, que estão sujeitas a uma tarifa base de 3,2%. Para a pimenta-preta e o gergelim, a tarifa permanece zerada, enquanto para o milho a tarifa de importação é 94 euros por tonelada, mecanismo especial do acordo, diferenciando-se da tarifa comum. permanece a mesma coisa de antes, apesar de não precisarem ser superadas as barreiras tarifárias. O acordo afirma ao Brasil maior previsibilidade, ao assegurar que não haverá instabilidade nas taxas, ou seja, que não ocorrerão aumentos tarifários por fatores externos ao seu acordo, desde que cumpridos os padrões técnicos e fitossanitários estabelecidos no próprio acordo.

Apesar das tarifas terem diminuído significativamente, ainda há ressalvas para a adesão do Brasil nesse mercado tão promissor. O acordo prevê salvaguardas no regimento interno europeu, permitindo a abertura de investigações por parte da União Europeia caso as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de três anos o que acarretará uma possível suspensão dos benefícios, com o objetivo de proteger o setor produtivo europeu.

A assinatura desse acordo proporciona ao Brasil um posicionamento em mercados que possuem uma alta demanda e uma maior capacidade de importações, indicando um aumento da competitividade do produto brasileiro no mercado internacional e contribuindo para a diversificação da mercados, reduzindo a dependências de suas exportações para determinados tipos de mercados, como a China e aos Estados Unidos. A União Europeia será beneficiada com o acordo ao acessar os produtos mais consumidos pelo bloco e com custos mais competitivos e ao diversificar suas origens de abastecimento, visto que seus principais parceiros comerciais, Estados Unidos e China, estão em desequilíbrio comercial com o bloco econômico europeu. A instabilidade do mercado norte-americano, com a persistência de tarifas e barreiras, dificulta o comércio bilateral com o Brasil, especialmente no setor de agropecuário. Nesse cenário, o acesso ampliado ao mercado europeu se apresenta como uma alternativa mais viável e rentável. Para potencializar as oportunidades deste mercado agregando valor ao produto, o Brasil deverá aprimorar suas práticas agrícolas e agropecuárias, de forma a atender às exigências regulatórias, sanitárias e ambientais da União Europeia.

Field Agri Consultoria – setor Inteligência de Mercado

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